Sobre

SOBRE MIM

Desde pequeno sempre gostei de ciências. Biologia e Geografia eram minhas matérias prediletas na escola, apesar de também gostar bastante outras ciências naturais e de história. Meus passatempos favoritos eram coletar e brincar com insetos e outros animais que encontrava ao explorar os lugares por onde passava. Hoje isso reflete em minha formação como biólogo.


 

QUAL O OBJETIVO DO BLOG?

Influenciado por grandes nomes da biologia como divulgadores científicos como como Carl Linnaeus, Charles Darwin, Alfred Russel Wallace, Gregor Mendel e Louis Pasteur; pesquisadores de outras áreas Galileu Galilei, Nikola Tesla, Albert Einstein, Marie Curie e grandes divulgadores científicos como Carl Sagan, Neil DeGrasse Tyson, Bill Nye e Richard Dawkins, o objetivo principal deste blog é despertar nas pessoas a mesma paixão que temos pela ciência. Aqui divulgamos pesquisas importantes em biologia geral e evolução, trazendo uma visão acadêmica mas também acessível para o grande público.


 

PORQUE CARANGUEJO SAMURAI?

Heikegani (平家蟹, ヘイケガニ) ou Caranguejo-samurai (Heikeopsis japonica) é uma espécie de caranguejo da família Dorippidae nativa do Japão, cuja carapaça apresenta um padrão que lembra um rosto humano, mais especificamente o rosto de um samurai furioso. As lendas locais dizem que estes animais são reencarnações das almas dos guerreiros Heike, que encontraram seu fim na Batalha de Dan no Ura contra o exército Genji no mar do Japão.

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Utagawa Yoshikazu (1859-1870) A batalha de Dan no Ura de 1185.

 

Na história dos humanos, no século 12, o Japão era governado por um clã de guerreiros chamados Heike, da Casa de Taira. O líder nominal dos Heike, o imperador do Japão, era um garoto de sete anos chamado Antoku, e por ser jovem demais, sua guardiã era sua avó, Lady Nii. Os Heike estavam envolvidos numa guerra longa e sangrenta com outro grupo de samurai, os Genji, do clã Miyamoto. Cada um deles afirmava ter o direito ancestral ao trono imperial. O encontro decisivo ocorreu em Dan no Ura no mar do Japão em 24 de abril de 1185. De um lado, mil navios de Heike, lotados de samurais prontos para a luta. De outro, três mil navios de Genji, estrategicamente melhor colocados. Os Heike então em menor número e com suas táticas de combates descobertas pelos inimigos, virão que a causa estava perdida e os guerreiros Heike sobreviventes se lançaram ao mar se afogando.Temendo algo de ruim com seu pequeno neto, Lady Nii o levou para um barco e lá o pobre garoto perguntou a sua avó: – Para onde você vai me levar? Com o rosto regado de lágrimas, Lady Nii, acariciou Antoku e tentou confortá-lo. Neste momento ele já havia percebido o seu destino. Juntou a palma de suas mãos e com um gesto de quem está orando, reverenciou o Leste, despedindo-se do deus Deesi e posteriormente curvou-se para o oeste, em reverência ao Nembutsu, uma prece para Buda. Após a despedida, Antoku foi para os braços de sua avó que disse: – Nas profundezas do oceano está nossa capital! – E atirou-se ao mar, onde ambos tiveram o mesmo fim dos últimos guerreiros Heike.

A história dos Caranguejos-samurai foram utilizadas por Carl Sagan em sua famosa série de TV intitulada Cosmos. Na série é apresentada a interpretação publicada por Julian Huxley em 1952, na qual os caranguejos que apresentavam carapaça com um padrão semelhante ao rosto humano eram jogados de volta ao mar, em respeito aos eventos ocorridos na batalha dos Heikes ou por relutância em comer algo que lembrasse um rosto humano. Estes caranguejos então poderiam se reproduzir enquanto os animais sem estas curiosas marcas na carapaça eram consumidos. Isso deu início a um processo no qual após várias gerações de caranguejos e de pescadores, os caranguejos com os padrões que pareciam com um rosto sobreviveram e predominaram, até finalmente se produzido não apenas um rosto humano ou japonês, mas de fato o de um guerreiro samurai. Um exemplo magnifico do poder da seleção artificial.

Apesar de se tratar de uma história elegante e aparentemente bem fundamentada, é possível observar algumas falhas nesta hipótese. Um dos grandes problemas está no fato de que carapaça destes caranguejos chega ao comprimento máximo 3 centímetros. Certamente se trata de um animal pequeno demais para ser comido, visto que o esforço para extrair sua carne não seria bem recompensado. Assim, é improvável que estes animais tenham sido consumidos. Além disso, outras espécies de caranguejos da família Dorippidae também apresentam os mesmos padrões em suas carapaças, alguns inclusive não habitam as regiões de pesca, não sofrendo qualquer ação seletiva por mãos humanas. Na verdade, os padrões das carapaças são formados por pontos de ancoragem dos músculos e por câmaras que abrigam as vísceras. Padrões semelhantes são encontrados em várias espécies no mundo todo e inclusive no registro fóssil. Desta forma, a única explicação para este padrão seria um evento psicológico chamado Pareidolia, uma manifestação ilusória que nos faz reconhecer padrões e significados em objetos aleatórios. A pareidolia está relacionada com a capacidade inata do nosso cérebro de reconhecer rostos e formas humanas, sendo responsável pelos frequentes relatos de observações rostos em rochas de marte, corpos humanos nas rochas lunares, figuras religiosas nas áreas queimadas de uma torrada e samurais nas carapaças de caranguejos japoneses.


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