Feras do Passado: Pelycosauria – Os ancestrais dos Mamíferos

Dinossauros, pterossauros e outros grupos pré-históricos sempre despertaram interesse nas pessoas. Talvez a realização de que criaturas tão majestosas uma vez caminharam, voaram ou nadaram por nosso planeta é o que nos fascina. Basta ver como eles estão espalhados pela cultura pop, desde os dinossauros simpáticos como o Barney até vilões de cinema como o Trex do Jurassic Park. Provavelmente muitos dos que estão lendo agora adoravam dinossauros quando pequenos.

Dimetrodon Crânio

Crânio de Dimetrodon

Contudo, muitas pessoas ainda acreditam em certos equívocos pregados pela mídia a respeito desses grupos, principalmente no que tange ao que pode ser chamado de dinossauro ou não. Com base nisso, damos hoje início a uma série de posts informativos não somente sobre dinossauros, mas também sobre outros grupos de répteis (e de não-répteis) fascinantes comumente associados aos mesmos. Para dar início a essa série, vamos falar a respeito de um grupo comumente associado aos dinossauros, apesar de serem bem distantes filogeneticamente, terem extinguido-se muito antes dos dinossauros se quer surgirem e nem serem considerados “répteis” como os demais grupos que serão abordados. Vamos falar sobre os Pelicossauros.

 

Filogenia Pelycosauria

Em destaque, a filogenia dos “Pelycosauria”

Os pelicossauros formam um grupo parafilético (grupo não natural, que não inclui todos descendentes de um único ancestral), representados por Pelycosauria, do grego Pelix (Machado) e Sauros (Lagarto), que consiste em quase todos os Synapsida que viveram do final do Carbonífero até o Permiano, excluindo Therapsida e seus descendentes. Synapsida é um ramo dos Amniota caracterizado pela presença de um par de fenestras no crânio, o que os diferencia dos Diapsida, que possuem dois pares de fenestras no crânio e que deram origem aos “répteis”. A única linhagem ainda vivente de Synapsida é representada pelos mamíferos.

Eothyris_BW

Eothyris

Ou seja, os pelicossauros são os ancestrais mais antigos dos atuais mamíferos. Os pelicossauros eram ectotérmicos, uma vez que não conseguiam manter a temperatura corporal acima da temperatura do ambiente devido ao seu metabolismo lento. Possuíam uma dentição simples, capaz apenas de capturar e imobilizar a presa. Os membros eram curtos e com movimentação limitado, com a disposição dos mesmos sendo lateral, similar a alguns répteis atuais. Esse tipo de disposição interfere na respiração, portanto acredita-se que os pelicossauros eram capazes fazer pequenas corridas prendendo a respiração, assim como os lagartos viventes. A dieta do grupo era variava dependendo da família, havendo desde grandes predadores até herbívoros. “Pelycosauria” é composta por 6 famílias: Eothyrididae, Caseidae, Varanopidae, Ophiacodontidae, Edaphosauridae e Sphenacodontidae.

 

Pelycosaurs

Cotylorhynchus (atrás), OphiacodonVaranops (à frente)

A família Eothyrididae consistia de apenas 3 gêneros de pequenos predadores terrestres. O gênero Eothryris tinha um focinho curto e largo, possuía um par de dentes caniniformes maiores que os demais dentes e  provavelmente se alimentava de artrópodes. Caseidae consistia de 15 gêneros de herbívoros, tanto pequenos quanto grandes. O gênero Cotylorhynchus era um dos maiores dentre todos os pelicossauros, podendo alcançar 3 metros de comprimento. Apesar disso, possuía um crânio desproporcionalmente pequeno, crânio esse que possuía um focinho bem alongado e dentição espatulada com ausência de dentes caniniformes, sugerindo a dieta herbívora. Varanopidae consistia de 11 gêneros de pequenos carnívoros, com membros longos e morfologia similar aos atuais lagartos-monitores (família Varanidae). Acredita-se que fossem bastante ativos e ágeis em seus habitat, além de possivelmente apresentarem cuidado parental. Os pelicossauros do gênero Varanops seriam representantes característicos dessa família. Ophiacodontidae consiste de 6 ou 7 gêneros. O gênero Ophiacodon podia alcançar entre 1,5 e 3 m de comprimento, possuía membros massivos e um crânio bem grande e achatado. Provavelmente se alimentava de peixes e tetrápodes.

Edaphosaurus

Edaphosaurus

A família Edaphosauridae consistia de grandes herbívoros com velas dorsais, que eram prolongamentos da espinhas neurais das vértebras dorsais, cobertas por pele. O gênero Edaphosaurus possuía uma cabeça pequena quando comparada ao corpo massivo e possuia adaptações para herbivoria. A família Sphenacodontidae consistia de predadores de médio a grande porte, com crânios grandes, órbitas oculares pequenas e grandes velas dorsais. O gênero Dimetrodon é o mais conhecido membro não só da família Sphenacodontidae, como dos pelicossauros em geral, sendo bastante confundido como um dinossauro na cultura pop. Possuía grandes dentes caniniformes e provavelmente era um predador de topo durante o Permiano, se alimentando de outros vertebrados e até mesmo outros pelicossauros. Vivia em regiões pantanosas e podia chegar até 3,5 metros de comprimento, provavelmente pesando entre 100 e 150 kg. Seus membros eram curtos e massivos e sua longa cauda ocupava boa parte do comprimento total do corpo. Especula-se que a vela dorsal do Dimetrodon e de outros pelicossauros das famílias Sphenacodontidae e Edaphosauridae poderia servir para termorregulação. Entretanto, a ausência dessas velas dorsais em outros pelicossauros enfraquece essa teoria.

 

Dimetrodon_grandis

Dimetrodon

Os pelicossauros foram bastante diversos até o meio para o final do Permiano, onde os nichos que ocupavam acabaram sendo ocupados pelos Therapsida. Os membros da família Varanopidae foram alguns dos poucos que chegaram a conviver com outros Synapsida. Posteriormente o grupo Therapsida foi bastante afetado pelas extinções do Permo-Triássicas, podendo assim liberar os nichos que posteriormente seriam ocupados pelos Archosauria (incluindo os dinossauros) e outros Synapsida.

Fontes:

 


Livro – Vertebrate Paleontology – Michael J. Benton – 4th Edition – (Capítulo 5 – Páginas: 132-142)

Livro – Paleobiology II – Derek E.G. Briggs & Peter R. Crowther – (Capítulo 1 – Páginas: 89-91)

Página da UCMP – Introduction to the Pelycosaurs

Artigo original da Proceedings of the Royal Society B – A mixed-age classed ‘pelycosaur’ aggregation from South Africa: earliest evidence of parental care in amniotes?

 

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