Extinção massiva na Grande Barreira de Corais da Austrália

corais

Gráfico ilustrativo da porcentagem da perda de corais na Grande Barreira Australiana

Os cientistas confirmaram um evento de mortalidade em larga escala de corais ocorrendo nos mares quentes ao redor da Grande Barreira de Corais da Austrália. A área mais afetada, uma faixa de 700 km de recifes na região norte da Grande Barreira perdeu cerca de 67% de seus corais de águas rasas nos últimos 8-9 meses. De acordo com os pesquisadores, este certamente é o pior evento de mortalidade já registrado, principalmente pelo tamanho da Barreira de cerca de 348.000 quilômetros quadrados, o maior recife de corais do mundo.

A maior parte das perdas ocorridas em 2016 aconteceram na parte norte, a área mais isolada da Grande Barreira de Corais. “Esta região escapou com danos menores em dois eventos anteriores de branqueamento em 1998 e 2002, mas desta vez foi gravemente afetada“, diz o professor Terry Hughes, diretor do Centro Australiano de Pesquisa para Estudos de Recifes de Coral (ARC), sediado na Universidade James Cook, que realizou extensas pesquisas aéreas na região.

A possível causa dessa mortalidade seria um evento chamado Branqueamento de corais, que ocorre por causa do aquecimento mares resultantes das mudanças climáticas.

Os Corais são animais do filo Cnidaria, assim como as águas vivas. Mas ao contrário de suas parentes flutuantes, os corais tem um estilo de vida séssil, ou seja, vivem fixos em rochas e capturam seus alimentos com seus tentáculos. Por serem imóveis e crescerem em colônias, fornecem abrigo para uma enorme diversidade de organismos como peixes, artrópodes, moluscos e seres microscópicos como as algas. A propósito, é por causa de sua relação simbótica com algas unicelulares conhecidas como zooxantelas que os corais apresentam uma diversidade de cores exuberantes, sem as algas sobra apenas um exoesqueleto branco e calcificado. Em temperaturas muito altas, estas algas sintetizam substâncias químicas prejudiciais aos corais. Como defesa, a única alternativa dos corais é expulsar as algas para fora de seu corpo. No entanto, sem o abrigo dos corais as algas acabam morrendo e os corais deixam de absorver a energia excedente da fotossíntese destas algas e morrem, sendo completamente recobertos por outros tipos de algas oportunistas. Logo este fenômeno acarreta não apenas na mortalidade de algas e corais mas também toda a biodiversidade a eles associada. “O coral é essencialmente cozinhado“, disse o professor Andrew Baird, pesquisador da Universidade James Cook, que fez parte dos estudos nos recifes.

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Ilustrações e fotografias dos corais e diferentes estados (Fonte: Biologia Total, Prof. Jubilut)

Porém, mais ao sul, sobre as vastas regiões central e sul da Grande Barreira de Corais, os cientistas ficaram aliviados ao encontrar um número de mortes bem mais baixo. “A boa notícia é que os dois terços do sul do Recife escaparam com danos menores. Em média, 6% dos corais branqueados morreram na região central em 2016, e apenas 1% no sul. Os corais recuperaram sua cor vibrante, e estes recifes estão em condições boas.“diz o professor Andrew Baird.

Mesmo sendo um fenômeno natural, os cientistas estão preocupados que o branqueamento de corais seja intensificado pelo aumento da temperatura do mar causado pelo aquecimento global, o que deixaria os ecossistemas marinhos mais sensíveis incapazes de se recuperar. Os cientistas esperam que a região norte leve pelo menos de 10 a 15 anos para recuperar os corais perdidos, há a preocupação de que um novo evento ocorra mais cedo e interrompa o lento processo de recuperação.

Outras manchas brancas foram observadas em outro ponto também ao norte da costa da grande barreira, onde a perda do coral foi mais baixa do que os outros recifes do norte. “Encontramos um grande corredor de recifes que escapou dos danos mais graves ao longo da borda oriental da plataforma continental no extremo norte da Grande Barreira de Corais“, diz o professor Hughes.”Suspeitamos que esses recifes estejam parcialmente protegidos contra o estresse por calor causado pela ressurgência marinha de águas mais frias para os Recifes de Coral“.

A descoberta da morte no norte do recife é um grande golpe para o turismo no recife que, de acordo com um relatório da Deloitte Access Economics de 2013, atrai cerca de A $ 5,2 bilhões (US $ 3,9 bilhões) em gastos a cada ano. Mas também é um alerta global para os impactos do aquecimento dos mares e os riscos que as mudanças climáticas trazem não só para os corais mas para toda a biodiversidade marinha.

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Fontes:

Matéria do Site Futurism: Australian Waters Are “Cooking” Coral to Death, Causing Worst Ever Die-Off

Matéria no Scinews da Reuters: Scientists record biggest ever coral die-off on Australia’s Great Barrier Reef

Matéria da ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies: Life and death after Great Barrier Reef bleaching

Artigo sobre ressurgência marinha na Austrália da ScienceDirect: Upwelling on the south-west coast of Australia—source of the Capes Current?

 

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