Dinossauro emplumado – Cauda com penas é encontrada em âmbar

Os fósseis de âmbar são muito valiosos, pois preservam criaturas extintas a milhões de anos em um grau de conservação muito semelhante à como eram quando vivas. Agora, mais uma descoberta incrível foi feita neste tipo de material – uma cauda de um dinossauro coberta com penas! Este achado trás um material muito rico, com penas bem detalhadas e associadas com a estrutura óssea bem definida.

Os fósseis de âmbar são formados quando pequenas criaturas entram em contato com resinas vegetais viscosas e ficam presas. Essas resinas eram produzidas pelas plantas para proteger seu interior da ação de fungos, bactérias e insetos que perfuravam suas cascas. A resina exposta para fora da planta perdia gradualmente o ar e a água de seu interior, as substâncias orgânicas de seu interior se polimerizaram e por fim formaram um material endurecido e resistente à ação da água e do tempo.Eis o motivo do grande valor de peças fossilizadas em âmbar, pois preserva tudo que for capturado dentro da resina por milhões de anos em um estado muito semelhante ao estado natural, enquanto outros tipos de fossilizações não preservam completamente o material em seu interior. Fósseis encontrados em rochas são frequentemente achatados devido à alta pressão das camadas de rocha ou são expostos erosão da água e do vento, deixando poucos vestígios impressos nas rochas, que na maioria das vezes são bastante fragmentados.

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Detalhes da estrutura das penas

Esta semana foi publicada no periódico Current Biology a descoberta de uma cauda de um dinossauro contendo penas preservadas em âmbar. O fóssil tem cerca de 99 milhões de anos e foi encontrado por Lida Xing, um pesquisador da Universidade de Geociências da China, Beijing,  que descobriu a peça em um mercado de âmbar na cidade de Myitkyina em 2015. Os vendedores pensaram ser algum material vegetal preservado e o venderam como um souvenir. Ao perceber a importância da peça o pesquisador conduziu diversas análises em parceria com outros pesquisadores da China, do Canadá e da Inglaterra: incluindo fotografias tiradas em microscópio, análises de composição química e até tomografia computadorizada (imagens tridimensionais formadas por vários feixes de raios-x em diferentes ângulos e posições).

Os pesquisadores observaram que o fragmento de cauda contém duas vértebras bem definidas, que foram extrapoladas em um total de 8 vértebras de acordo com o tamanho da cauda e das vértebras. Seu tamanho também indica que o material pertenceu a um dinossauro terópode juvenil. Além disso, as proporções vertebrais indicam que a estrutura era afilada, longa e flexível, o que exclui este animal  do grupo Pygostylia (grupo que inclui as aves pela presença do Pigóstilo) e indica que era de fato um celurossauro não-aviano.

  • Obs 1:  O pigóstilo é um osso situado na extremidade da coluna vertebral, formado pela fusão das últimas vértebras caudais
  • Obs 2: A linhagem dos celurossauros inclui o velociraptor, o tiranossauro e as aves. Assim quando se fala de celurossauros não-avianos, exclui-se as aves.
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Reconstrução artística de Chung-tat Cheung: Um jovem celurossauro próximo a um galho com resina.

Apesar de já não ser uma novidade o encontro de penas em dinossauros, a descoberta trás muitas informações novas, pois não eram conhecidos detalhes da morfologia tridimensional das penas de dinossauros não-avianos devido à compressão que esse material sofre durante o processo de fossilização.

De acordo com os pigmentos preservados na peça, os pesquisadores sugerem que a coloração das penas na parte dorsal da cauda eram amarronzadas e as penas na parte ventral eram bem mais claras ou até mesmo brancas, devido a ausência de melanossomos (estruturas intra-celulares que armazenam a melanina da pele de alguns seres vivos). As penas também não possuem a ráquis (a haste central da pena) bem desenvolvida, sendo quase indistinguível das barbas (ramos que saem da ráquis), que abrigam as bárbulas (ramos que saem das barbas). Isto permite inferir que a origem destas estruturas ocorreu antes da formação da ráquis, que aparentemente se formou pela fusão de barbas que já apresentavam bárbulas ao contrário do que se pensava anteriormente.

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Desenho esquemático da estrutura da pena e o modelo de desenvolvimento das penas, com a conformação da atual descoberta circulada.

A posição das penas dentro do âmbar também indica que tanto as barbas quanto a ráquis eram flexíveis. Esta conformação da estrutura das penas é mais semelhante ao que se observa  nas penas ornamentais do que nas penas de voo nas aves modernas. Caso este tipo de pena estivesse presente em todo o corpo do animal, significa que ele provavelmente não voava.

Desta forma, o material preservado no âmbar fornece uma evidência concreta de que a evolução das penas ocorreu em um contexto anterior ao voo. E que a conformação necessária para o surgimento do voo foi uma adaptação das penas como estruturas já existentes, que foram modificadas para uma nova função.

 

 

Fontes:

Matéria da Science MagazineDinosaur tail trapped in amber sheds light on evolution of feathers

Matéria do blog Colecionadores de OssosUMA CAUDA DE DINOSSAURO COM PENAS ENCONTRADA EM ÂMBAR DE 99 MILHÕES DE ANOS

Matéria do blog EvolucionismoPenas, para que te quero?

Artigo original da Current BiologyA Feathered Dinosaur Tail with Primitive Plumage Trapped in Mid-Cretaceous Amber

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